Com a intenção de simplificar o conhecimento sobre o Império de Mali, fizemos uma mini apostila com o conteúdo resumido e algumas imagens explicativas! Esperamos que gostem!
https://docs.google.com/file/d/0Byj6PdO8ev3md2ZHMjFzN2xFTkU/edit
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Apogeu e Declínio
O auge do Império de Mali foi após
Sundjata Keita, onde governou seu filho Mansa Ulé. Mansa Ulé entregou o
controle das províncias imperiais a diferentes generais, proporcionando a
descentralização do reino. Um escravo do mansa Abubakar I, Sakura, foi entronizado
como imperador e aumentou os domínios do Mali, fazendo com que mais reis se
tornassem vassalos do imperador. Sakura foi assassinado após retornar de uma
peregrinação. Abubakar II, o mansa que assumiu o governo em 1303, ficou célebre
por conta de sua tentativa sem sucesso de expandir para o oeste enviando navios
pelo oceano atlântico, na direção da América do Sul. O Mansa Musa, mansa de
1312 a 1332, foi um outro célebre rei malinqué que organizou uma grandiosa
peregrinação com cerca de 60 mil servidores e cem camelos carregados de ouro,
impressionando os líderes árabes da época. Este mansa foi responsável pela
construção em Timbuktu da mesquita de Djinger-ber, pela expansão e afirmação do
Islã no império e por estabilizar as relações diplomáticas do Mali com os
reinos vizinhos. Seu reinado é considerado a Era Dourada da História do Mali.
Durante o reino de Maghan, Timbuktu foi saqueada por povos estrangeiros. Mansa
Suleiman recuperou a economia do Império e tentou restaurar a sua influência
sobre a periferia, fazendo-se reconhecer em sua soberania sobre os Tuaregues.
Os reinados de Mari Djata e Mussa II marcaram o início do período de decadência
do Império.
A queda do Império do Mali está
relacionada às lutas internas pela posse do trono, o crescimento do Império de
Gao e os levantes dos reinos vassalos. Os Peules iniciaram um movimento de
resistência liderados por Djadjé no começo do século XV, ao mesmo tempo em que
povos do Tekrur se associaram aos estados volofos, e as províncias do leste
eram anexados por Gao. Em 1490 o Gao já havia conquistado o Futa, o Toro, o
Bundu e o Dyara. Nessa época, o Imperador do Mali tentou formar uma aliança com
o rei João II de Portugal, mas as missões diplomáticas não chegaram à Europa. A
investida das dinastias Askias de Gao fez com que o Mali se dissolvesse de vez,
quando a capital do Mali foi ocupada em 1545. Em 1599 o domínio do Gao foi
substituído pelo controle marroquino, e o Mansa Mahmud organizou uma nova
resistência se aproveitando da situação, mas seus homens foram derrotados pelas
armas de fogo dos marroquinos, marcando o fim do império do Mali.
Aspectos Culturais e Religiosos
A religião oficial do Império do Mali
era o islamismo. Acredita-se que o islã do Mali tenha carregado algumas
características das religiões animistas do Mali antigo: os dyeli (sacerdotes)
praticavam ritos com os rostos cobertos por máscaras animistas, a população
comia carnes consideradas impuras pelo islão, etc. Os principais agentes da
divulgação do Alcorão no Mali eram os comerciantes sarakholés e diúlas. O
islamismo está ligada ao estudo, não só do Corão, mas ao ensino em geral.
Embora seja importante fazer um parêntese, para notar que havia na religião
várias influências especialmente pagãs. As crianças aprendiam o Corão, mas
ainda havia muito de feitiçaria nas crenças populares.
Mansa Mussa foi o rei que incentivou a
cultura, o ensino e a expansão do Islã. Na sua famosa peregrinação a Meca, ele
trouxe para o Mali, mercadores e sábios e divulgou a religião islâmica. O
imperador também trouxe consigo um poeta-arquiteto, Abu Issak, mais conhecido
como Essaheli, ou Ibrahim Abû Ishaq Essaheli. Foi ele quem planejou a grande
mesquita de Djingareiber. Uma jóia da arquitetura que começou a ser construída
em 1325 e foi terminada por Kandu Mussa. Esse rei também enviou estudiosos para
o Marrocos, para estudar na universidade de Fez. Esses sábios voltaram ao Mali
e lá fundaram seus centros de ensino e estudo corânico. Timbuktu se tornou um
centro de difusão de conhecimento para comerciantes e para estudiosos.
A Constituição do Império de Mali
Após a vitória contra Sumaoro Kante na
batalha de Kirina, Sundiata reuniu os seus apoiadores para definir as bases do
governo do novo império. Na planície de Kurugan Fuga, próxima ao local onde foi
estabelecida a capital Niani, ocorreu a Gbara (Grande Assembléia) onde
estabeleceram a administração do império com modelo semelhante a do Império de
Gana:
- Sundiata foi proclamado mansa
(malinka) ou mangha (soninke), que significa imperador, chefe dos reis e juiz
supremo. Toda a linhagem sucessória seria escolhida na linhagem de Sundiata e
os príncipes escolheriam a primeira esposa do clã Konde,o qual pertencia
Sogolon Konde, mãe de Sundiata;
-
Os chefes de Nema e Wagadu foram proclamados reis;
-
Os demais chefes receberam o título de farin;
-
A sucesseão seria fraternal, irmão sucederia irmão;
- A divisão dos Maninka em 16 clãs de homens livres considerados nobres, denominados "portadores de
aljavas";
-
Os cinco clãs dos Marabus, aliados de Sundiata Keita na batalha, foram
proclamados "cinco guardiões da fé";
-
Trabalhadores de determinados ofícios foram divididos em quatro clãs:
os
griots, que eram os porta-voz e mestre de cerimônias do império;
os
sapateiros;
os
ferreiros;
os
barqueiros, denominados "mestres das águas".
Aspectos Políticos e Econômicos
O Império de Mali foi o maior produtor de ouro na
África. Seu povo praticava a agricultura e a pecuária de subsistência, sendo que o artesanato era
uma atividade de grande importância para
a economia e a cultura.
Por Tombuctu circulavam sal e ouro das minas do Império Mali, tecidos,grãos e noz-de- cola das flores, além de peles, plumas, marfim e instrumentos de metal. Ao longo do século XIV, Tombuctu se transformou num importante centro intelectual do mundo, reunindo cerca de 150 escolas com muitos estudantes oriundos de outras partes do território africano. O poder político era exercido pelo Imperador, embora possuísse uma espécie de regime democrático, já que o povo tinha acesso a este por meio das chamadas reclamações. A estrutura política do império foi estabelecida pela Carta de Kurukan Fuga. O Mansa vestia-se com artefatos de ouro e usava uma túnica vermelha (mothanfas). O trono do imperador era o pempi, uma poltrona feita de ébano.
O
mansa detém como funções ministrar a justiça no reino, e comandar a guerra. O Império era governado de duas
formas: no centro, o controle direto do rei, na periferia, eram estabelecidos
reinos protetorados. O reino central era subdividido em províncias com
um governador (dyamani tigui). As menores unidades de uma província
eram os kafo e os dugu. Os reis da periferia reconheciam a soberania do
imperador, mas não perdiam seu estatuto de reis. Estes normalmente pagavam
impostos ao imperador.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Personagens
Sosoe
Kemoko, chefe de um clã Malinka, povo especialista em metalurgia. O diferencial
entre os Maninka e os Sosoe é que os Maninka eram favoráveis ao Islã, enquanto
os Sossoe, apegados as tradições encestrais, eram opositores. Juntou as cidades
de Kaniaga e Sosoe em um só reino (Império de Gana), formando a dinastia dos
Kante ( fim do século XII até 1235). Era opositor ao Islã.
Sumaoro Kante, filho de Sosoe
Kemoko, reinou entre os anos de 1200 a 1235. Foi conhecido como Rei-Feiticeiro
e era árduo opositor do Islã. O domínio de Sumaoro atingia todos os reinos
dominados pelo Império de Gana, exceto o Mandem. Possuía vasto exército e
impunha o terror, tanto pela força como pela magia, ao povo islâmico habitante
do Mandem, praticando vários excessos.
Nare Fa Maghan, ou Maghan Kon Fatta,
rei do Manden entre 1218 - 1230. Combateu Sumaoro Kante. A tradição oral relata
que Maghan recebeu a visita de um guerreiro místico e profetizou que Maghan se
casaria com a mulher búfalo, que ela lhe daria um filho que seria um grande
rei. Certa feita, caçadores trouxeram uma mulher corcunda, feia aos olhos, de
nome Sogolon Konde.
Sogolon
Konde, esposa do rei Nare Fa Maghan. O rei Maghan já era casado com Sassouma
Bereté, mas recordando-se da profecia do caçador místico, casou-se também com Sogolon.
Sogolon deu a luz a uma criança enferma de nome Sundiata Keita. Frequentemente
era hostilizada pela esposa do rei Maghan por sua aparência e pelo seu filho
enfermo. A tradição oral cantada pelos griots conta que seu filho enfermo, era
motivo de chacotas e que zombavam dele, por vezes levavam pedaços de pau para
Sudiata apoiar-se e levantar-se, sempre em madeiras que não suportariam o seu peso.
Em uma dessas zombarias, Bereté levou folhas de Baobá para Sogolon como forma
de desprezo, ao ver a zombaria, Sundiata pediu o cetro real para apoiar-se e
levantar-se acreditando que seria curado. A
lenda diz que Sundiata apoiou-se no cetro e ficou em pé, que caminhou
até o Baobá que Bereté tirou as folhas e o arrancou pela raiz, jogando aos pés
de sua mãe Sogolon como forma de devolver a ofensa a Bereté.
Dankaran Tuman, filho mais velho de
Nare Fa Maghan. Compôs um acordo de submissão com Sumaoro Kante. Devido aos
excessos praticados por Sumaoro, o povo do Manden inflamou Dankaran a
rebelar-se contra o soberano. Dankaran, temendo represália por parte de Sumaoro
Kante, foge para o sul do Mandem, criando a “cidade da salvação”.
Sundiata Keita - Rei Leão - considerado
o fundador do império em 1230, reinou até 1255, segundo filho de Nare Fa
Maghan. Vivia exilado em Nema com sua mãe, Sogolon Konde, e seu irmão Mande
Bugari (Abubakar). Comandou os aliados na vitória da batalha de Kirina contra
Sumaoro Kante. A vitória contou com o auxílio de sua irmã, Nana Triban, que
fora dada em casamento a Sumaoro Kante por seu irmão, e o sobrinho de Sumaoro,
Ghana Fakoli, general-em-chefe das tropas de Sumaoro Kante, que tornou-se
desafeto deste após Sumaoro roubar-lhe a esposa. Nana Triban, esposa de Sumaoro,
conhecia os segredos da força mágica do rei-feitiçeiro e os contou a Sundiata.
Sumaoro tinha como toten, espécie de amuleto da sorte, o galo branco. Sundiata
construiu um arco com uma espora de galo branco pendurado. Diz a tradição oral
que Sumaoro foi ferido de raspão por Sundiata e que sentiu seus poderes mágicos
o abandoranarem fugindo em seguida. Sunadiata Keita dominou grande parte dos
territórios conhecidos do Império de Gana. Devido à influência de comerciantes
que visitavam o Império de Mali, Sundiata recebeu orientação religiosa islâmica.
Sua morte é referenciada em duas formas. Uma delas, a tradição oral cita que
Sundiata teria sido flexado acidentalmente durante uma cerimônia. Outra
vertente conta que Sundiata teria morrido afogado nas águas do rio Sankaran em
condições obscuras.
Mansa Ulé (1255 - 1270) - filho de
Sundiata Keita. Descentralizou o reino aos seus generais, fator que determinou
o crescimento do poderio do Mali e a constituição do reino, já que os antigos
reis não perderam seus postos, apenas reconhecendo a figura do imperador como
soberano e pagando os impostos ao império.
Abubakar I , Sakura ( 1270 - 1285) -
Escravo do Mansa Ulé. Foi entronizado como imperador, fazendo com que os reis
se tornassem vassalos.
Abubakar II - (1303 - 1312). Reinado
marcado por disputas pelo controle dos
exércitos e a centralização do poder. Como grande feito, Abubakar II enviou duas
expedições pelo oceano Atlântico. A primeiro com 200 barcos cargueiros, apenas
um retornou. A segunda expedição foi mais grandiosa com o envio de doi mil
barcos. Dessa vez, nenhum retornou. Há uma remota hipótese que alguns navios
haviam chegado a América, contudo, não há sustentação para tal afirmativa.
Mansa Mussa - (1312 - 1332).
Peregrinou à Meca por volta do ano 1324 com 60 mil servidores e cem camelos
carregados de ouro, impressionando os líderes árabes da época. No retorno,
trouxe sábios e profissionais de mais diversas áreas do conhecimento.
Responsável pela consolidação do Islã no império de Mali. É considerado o
responsável pela época de ouro do império. Incentivou a cultura, o ensino e a
religião, o Islã. Neto de Sundiata foi o homem mais rico do mundo conhecido e
sua fortuna foi estimada em U$ 400 bilhões de dólares segundo o site americano
CelebrityNetworth.
Mansa Suleiman - (1341 - 1360).
Conseguiu o reconhecimento de soberania sobre os Tuaregs.
Mari Djata II - (1360 - 1374). Dilapidou
grande parte dos recursos do império.
Mussa II ( 1374 - 1387). Inicio do
declínio do império devido a lutas internas pelo comando do poder.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Introdução
O
Império de Mali originou-se do reino de Mali e teve como capital a cidade de Niani. A crença
mandinga relata que o rei do Mali e sua família, foram massacrados pelo
soberano do reino do Sossoe, Sumaoro Kante, contudo, uma criança enferma
denominada Sundiata Keita, conseguiu escapar com vida desse massacre. A
tradição conta que Sundiata recobrou a saúde após tocar o cetro real,
prometendo vingar a morte de seus familiares. Em 1235, Sundiata atingiu seu
objetivo, originando o Império de Mali.
O Império de Mali foi o mais rico da África nos séculos XIII e XIV tendo
declinado na metade do século XV (1600). Suas principais cidades foram: Niani,
a capital, Kumbi-Saleh, antiga capital do império de Gana, Walata, Tombuctu,
Djenné, Kirina e Gao.
A população da capital Niani, era de aproximadamente 100
mil pessoas, e estima-se que o império de Mali tenha comportado 40 a 50 milhões
de habitantes em 400 cidades que formavam o império.
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